RCA participa de intercâmbio e comemorações dos 20 anos de Demarcação da TI Wajãpi

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Entre os dias 12 e 15 de agosto de 2016, um grupo de representantes das organizações indígenas da RCA participou, a convite do Conselho das Aldeias Wajãpi-Apina e do Iepé, do intercâmbio sobre processos e desafios atuais que envolvem a gestão ambiental e territorial em terras indígenas demarcadas e das comemorações dos 20 anos da Demarcação da Terra Indígena Wajãpi, homologada em 1996.  O evento aconteceu no Centro de Formação e Documentação Wajãpi e na aldeia Kwapo’ywyry, ambos localizados na Terra Indígena Wajãpi, município de Pedra Branca do Amapari, no estado do Amapá.

Além da presença dos representantes da RCA – do Alto Rio Negro/AM (Renato Matos Tukano/Diretor da FOIRN), Acre (Josias Pereira Kaxinawa/Presidente da AMAAIAC), Xingu/MT (Yakari Kuikuro Mehinaku/Presidente da ATIX) e TI Raposa Serra do Sol/RR (Ivaldo Andre Macuxi/Vice-coordenador do CIR), acompanhados da representante da secretaria executiva da RCA (Patricia Zuppi); participaram também representantes indígenas de diferentes localidades do Amapá – Oiapoque (Uaçá, Juminã, Galibi) e Parque Indígena do Tumucumaque. O grupo de convidados foi recebido na TI por um cerimonial Wajãpi com cantos e danças tradicionais. Em seguida, foram realizadas as apresentações iniciais e uma homenagem aos chefes Wajãpi de cada uma das regiões da terra indígena que participaram do seu processo da demarcação.

O intercâmbio intercultural

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Representantes do Apina e Awatac recebem os convidados da RCA

Ao longo dos dois dias de intercâmbio foram realizadas rodas de conversa com os representantes indígenas convidados sobre os processos de demarcação, sobre os desafios de se viver numa terra demarcada e sobre as questões que envolvem a elaboração dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental em suas terras, com ênfase nas alternativas e mecanismos de enfrentamento encontrados em cada região em prol da proteção de seus territórios e do cumprimento dos seus direitos. Neste viés, houve também um debate em torno da proposta de elaboração de protocolos próprios de consulta, a partir da apresentação do pioneiro Protocolo de Consulta e Consentimento Wajãpi.

Yakari Mehinaku Kuikuro, presidente da ATIX, compartilhou como está o andamento para a elaboração do Protocolo do Xingu que, diferente do Wajãpi, abrange 14 povos distintos. Renato Matos, diretor da FOIRN, colocou que a diversidade de povos envolvidos, assim como as longas distâncias e dificuldades de acesso às comunidades, constituem no Rio Negro/AM um grande desafio encontrado para a pactuação de um protocolo próprio, cuja discussão está em andamento.

Durante todas as noites ocorreram intercâmbios culturais em que foram exibidos materiais audiovisuais de cada povo, seguidos de rodas de conversas em que os mais experientes compartilharam lembranças de outros tempos quando a luta era pela demarcação. Durante os relatos dos processos de demarcação, a ampla ocupação dos territórios através dos modos e jeitos tradicionais de cada povo viver foi destacada como prioridade na luta vigente de proteção das TIs e garantia dos direitos territoriais. Estas exibições, assim como todas as ações que envolveram as comemorações de 20 anos da TI Wajãpi, foram marcadas especialmente pela participação e diálogo não só intercultural, mas intergeracional, com presença de homens e mulheres de todas as idades.

Estiveram presentes também membros do Iepé, da secretaria executiva da RCA, da TNC e da Target, além de representantes de órgãos governamentais, como Funai e NEI/SEED-AP e Universidade Federal do Amapá. No último dia os Wajãpi convidaram todos para a grande festa tradicional Pikyry moraita realizada na aldeia Kwapo’ywyry, com muita música, dança e kasiri, oferecido pela cacique Nazaré Ajãrety e sua família.

img_0746Para acessar o álbum de imagens desta atividade.

Link para a notícia das comemorações do site do Iepé.

 

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