Povos indígenas, mudanças climáticas e incidência política

Seminário de Formatura do curso em Mudanças Climáticas e Incidência Política RCA/ISA “Percepções e Experiências dos Povos Indígenas no contexto das Mudanças Climáticas”, (Câmara dos Deputados, outubro de 2017)
Representantes indígenas da RCA, APIB e COIAB na COP 23 em Bonn/Alemanha (novembro de 2017)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É reconhecido o papel que desempenham hoje os povos indígenas, seus modos de vida e sua relação com a manutenção da floresta e o uso dos recursos naturais nelas existentes no enfrentamento às mudanças climáticas. Há um consenso sobre a importância dos territórios indígenas para a preservação da floresta e da biodiversidade que elas abrigam. Enquanto aumentam as taxas de desmatamento em toda a Amazônia, as terras indígenas seguem com baixíssimas taxas de desmatamento, resultado dos modos de ocupação tradicionais e do manejo de recursos naturais que esses povos realizam. Também é consenso que os povos indígenas estão entre os grupos e populações mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas.

A crescente percepção dos impactos ambientais gerados pelas mudanças climáticas tem sido foco de significativa preocupação das comunidades indígenas da Amazônia. O contínuo desmatamento, a contaminação das nascentes, rios e solo, a instalação de grandes obras, as queimadas, entre outros fatores que afetam a manutenção da biodiversidade, impactam drasticamente os modos de viver, de conhecer e a subsistência dos povos indígenas.

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Representantes da RCA com o cacique Raoni na COP21 em Paris (dezembro de 2015)

Compreender que estes impactos percebidos nas florestas implicam um contexto mais global e são resultantes de ações e empreendimentos externos aos povos que nelas habitam, suscita a necessidade de promover debates que envolvam distintos atores e pontos de vista, onde as comunidades indígenas se inserem como porta-vozes e protetores das florestas.

Neste contexto, os povos indígenas têm tido participação limitada nos debates nacionais e internacionais sobre as mudanças climáticas e as ações necessárias para o seu enfrentamento. A RCA tem acompanhado as discussões em torno dos desafios e perspectivas que envolvem as mudanças climáticas, bem como dos compromissos assumidos pelo governo brasileiro no âmbito dos acordos globais sobre clima. Capacitar lideranças indígenas para uma participação qualificada nos debates sobre mudanças climáticas e apoiar iniciativas que promovam adaptações às transformações que os povos indígenas já vivenciam em seus territórios são eixos de ação da RCA sobre esse tema.

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Módulo I da Formação em Mudanças Climáticas e Incidência Política para lideranças indígenas, parceria da RCA com o ISA, em Brasília-DF (novembro 2016)
MATERIAIS AUDIOVISUAIS PRODUZIDOS PELA RCA

Quentura – um filme sobre as percepções das mulheres indígenas da Amazônia brasileira em relação às mudanças climáticas

Muito quente!
As piracemas não vêm na época certa e as pimenteiras acabam morrendo com tanta quentura.
“É um tempo muito diferente, que nem os espíritos estão conseguindo entender”. 
De suas roças, casas e quintais, as mulheres indígenas da Amazônia nos envolvem em seu vasto universo de conhecimentos ao mesmo tempo em que observam os impactos das mudanças climáticas nos seus modos de vida.

A RCA, em parceria com o Instituto Catitu e com apoio da Rainforest/RFN e das organizações membro da rede, produziu o filme “Quentura”, sobre as percepções, práticas e saberes das mulheres indígenas da Amazônia brasileira em relação ao meio ambiente e às mudanças do clima. A partir dos depoimentos de mulheres indígenas de comunidades do Rio Negro/Amazonas, da Terra Indígena Yanomami (Comunidade de Maturacá/Amazonas) e das mulheres kaxinawá da Terra Indígena do Rio Jordão/Acre, assim como de três representantes indígenas da RCA que têm se destacado nos processos de incidência política nesta área (Sinéia do Vale/Conselho Indígena de Roraima, Francisca Arara/Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre e Almerinda Lima/Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro); o filme busca compartilhar suas visões e reflexões sobre as alterações percebidas no tempo, no ritmo das estações, nos ciclos dos animais, no calendário das roças e pesca, e nas relações entre estas mudanças e o bem viver na comunidade.

Diálogo de Talanoa dos Povos Indígenas do Brasil

O Diálogo de Talanoa é uma metodologia proposta pelo Acordo de Paris (COP21/2015) para realização de um diálogo facilitador voltado entre os países signatários da Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudanças do Clima (UNFCCC, sigla em inglês), e seus diversos setores, em relação aos esforços coletivos voltados à redução da emissão de gases de efeito estufa, com o objetivo de conter o aumento da temperatura global.

A RCA tem buscado apoiar maior participação e protagonismo indígena nas negociações do clima e, neste contexto,  propôs e articulou a realização do Diálogo de Talanoa dos Povos Indígenas do Brasil – realizado no mês de novembro de 2018, no Memorial dos Povos Indígenas (Brasília/DF) – em parceria com a Câmara Técnica de Mudanças Climáticas do Comitê Gestor da PNGATI, APIB e COIAB – e suas organizações de base, e com o apoio do Ministério do Meio Ambiente/MMA, FUNAI, Ministério das Relações Exteriores/MRE, Fundação Rainforest da Noruega/RFN e outras organizações parceiras (indigenistas e ambientalistas) da sociedade civil. Os resultados desse Diálogo foram anexados ao Relatório Oficial do Brasil para a Conferência das Partes (COP24), que ocorreu em dezembro de 2018 na cidade de Katowice/Polônia, produzido e apresentado pelo MMA.

Para acessar os álbuns de fotos: Encontro de Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira em Roraima/2018, Seminário de Mudanças Climáticas no Acre/2018Estréia do filme QUENTURA,Cine-SESC-SP, QUENTURA: Memorial dos Povos Indígenas- Roda de conversa com mulheres indígenas,  Formação em Mudanças Climáticas e Incidência Política-Módulo FinalRCA na COP23Conferência do Clima/Alemanha 2017, COP-22/Marrakesh2016Formação em Mudanças Climáticas e Incidência Política- Mód. I,  Seminário sobre mudanças climáticas/ISA.

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Rede de Cooperação Amazônica

A RCA tem como missão promover a cooperação e troca de conhecimentos, saberes, experiências e capacidades entre as organizações indígenas e indigenistas que a compõem, para fortalecer a autonomia e ampliar a sustentabilidade e bem estar dos povos indígenas no Brasil.